quarta-feira, 25 de junho de 2025

 O Bosque da História


Somos árvore
Nascemos de um bosque particular.
Um dia fomos Semente
Somos o galho, o braço, a folha e a flor dos que virão
Somos a Terra. Seremos terra.
Da terra não falamos, não lembramos 
Mas dela precisamos para estar aqui





Para nascer precisamos de:
2 Pais
4 Avós
8 Bisavós
16 Trisavós
32 Tetravós
64 Pentavós
128 Hexavós
256 Heptavós
512 Oitavós
1024 Eneavós
2048 Decavós
Apenas o total das 11 últimas gerações, foram necessários 4.094 ANCESTRAIS, tudo isso em aproximadamente 300 anos antes de eu ou você nascermos!
Pare um momento e pense...
- De onde eles vieram?
- Quantas lutas já lutaram?
- Por quanta fome já passaram?
- Quantas guerras já viveram?
- Quantas vicissitudes sobreviveram os nossos antepassados?
Por outro lado, quanto amor, força, alegrias e estímulos nos legaram?
Quanto da sua força para sobreviver, cada um deles tiveram e deixaram dentro de nós para que hoje estejamos vivos.
Só existimos graças a tudo o que cada um deles passou.

Acho eventualmente perturbador o quão ínfima é a história de um individuo após a sua morte. Mal sabemos sobre a vida de três gerações anteriores a nós.
Legado é algo para heróis, figuras históricas e santos. Ainda assim, salvo alguns com biógrafos de época, não sabemos muito sobre eles.
Podemos falar de Tradição também, que é um pequeno carimbo que alguém deixa sobre a mesa. O que transcende são as coisas materiais, uma frase, uma receita, um livro que alguém escreveu.
Antes e depois do fim somos sozinhos. Aquele frio da barriga em um dia comum não vira história. O amor que você sente ao ver uma cena bonita não vira história.
Fazemos nossa história para nós mesmos.



terça-feira, 17 de junho de 2025

Um Pulsar e estamos em 2025

 


Pergunto-me: qual é o lugar de um blog em 2025?

Terça feira, dia de Marte. O Sol está em gêmeos e a Lua está em peixes.

Relendo aqui ensaios de posts antigos, sem pretensão alguma de que fizessem alguma audiência, sinto algum orgulho pela escrita espontânea e bem estruturada dentro de uma dinâmica entre as emoções e o editor de texto.

Eu penso que para o redator talvez esse lugar ainda seja o mesmo lugar dos anos 2000: Um despejo terapêutico pautado na linguagem escrita e as vezes também imagética. A  fixação de um pensamento, uma ideia, quiçá ainda seja um diário. Para os que lêem, acredito já ser um lugar de passagem tão fugídio quanto uma calçada com pavimento irregular. A catarse como efeito da linguagem escrita já não é assim tão praticada quanto antes. Pessoalmente, ainda consigo prestar atenção em textos consistentes mas confesso que a dificuldade de encontrar bons materiais de forma passiva é grande. 

O excesso da disponibilidade complica escolhas que antes eram simples, como abrir a internet e ler um artigo "da semana" ou acompanhar os lançamentos dos nossos autores favoritos. Lembro-me até mesmo de devorar um título em .pdf pelo qual eu tenha esperado um bom tempo para conseguir. Fico feliz de ainda existirem muitas plataformas hospedeiras de bons textos, embora eu dificilmente vá fazer uma pesquisa para procurar material. Não sei se é justo falarmos de preguiça. Para a geração dos anos 80, quarenta anos trouxeram muitas mudanças no meio midiático e semiológico e é difícil na vida adulta cuidar dos nossos próprios hábitos, porém necessário. 

Acompanhar a mudança de aulas, informações e afins em forma de vídeo ainda me faz muito resistente. Por um lado é bom porque não disponibilizo tanto tempo em redes sociais, por outro, gera essa questão com a escassez x excesso de disponibilidade de meios escritos. Espero ainda encontrar uma melhor forma de lidar com essa dicotomia.

Farei desse lugar ainda um exercício, tal como sempre foi: sem pretensão, sem cobrança e com o único propósito de organizar pensamentos e colecionar ideias.




Ainda preciso falar sobre o quanto o hábito da escrita manual é importante para a manutenção de uma boa caligrafia. Dei-me conta de que hoje a minha coordenação motora para a escrita regrediu consideravelmente e perguntando a amigos, pareceu algo bem comum, afinal, mal escrevemos um bilhete! Fico num misto de sentimentos ao me deparar com cadernos e diários antigos, com cinco, seis tipos de caligrafias que eu tinha, todas maravilhosas e  tentar reproduzi-las, com insucesso, 

A única escrita que venho praticando é a escrita terapêutica, que visa apenas organizar emoções e pensamentos, como forma de extravasar mesmo. Nesses casos, a caligrafia é a última coisa que importa.

Encerro aqui pensando que devo divagar em outro post sobre a escrita e o desenho com objetivos de manifestação da Vontade, que seria uma forma um pouco mais madura do que produzir garranchos ditados do inconsciente.

Salvo o texto com um sorriso nos lábios pois consegui me responder à pergunta lá de cima.


 O Bosque da História Somos árvore Nascemos de um bosque particular. Um dia fomos Semente Somos o galho, o braço, a folha e a flor dos que v...